Como a Natura ganhou destaque internacional com sua estratégia de redução de carbono

A Natura é hoje uma das marcas brasileiras mais reconhecidas no mundo quando o assunto é sustentabilidade corporativa e redução de emissões de carbono. Muito antes de o mercado regulado de carbono ganhar força, a empresa já havia integrado o tema mudanças climáticas à sua estratégia de negócios — transformando responsabilidade ambiental em vantagem competitiva global.

Neste artigo, vamos entender como a Natura se tornou referência internacional ao adotar políticas de baixo carbono, e o que outras empresas podem aprender com esse modelo.


Natura: pioneira na neutralização de carbono no Brasil

A Natura foi a primeira empresa de cosméticos do mundo a se tornar carbono neutro, ainda em 2007.
Naquele ano, ela criou um programa estruturado para medir, reduzir e compensar suas emissões em toda a cadeia produtiva — algo inédito no setor à época.

Desde então, a marca vem mantendo uma estratégia robusta baseada em três pilares:

  1. Mensuração e transparência: cálculo das emissões de gases de efeito estufa (GEE) em toda a cadeia de valor — da extração da matéria-prima à entrega do produto final;
  2. Redução contínua: substituição de matérias-primas, inovação em logística e uso de energia renovável;
  3. Compensação de emissões residuais: investimento em créditos de carbono gerados por projetos socioambientais na Amazônia e em outras regiões do país.

Essa estrutura fez da Natura um dos primeiros cases globais de economia de baixo carbono, muito antes do tema ganhar a atenção dos investidores.


Como a estratégia de carbono da Natura impulsionou sua reputação internacional

O compromisso com o carbono neutro deu à Natura diferenciais competitivos que se traduziram em reputação, valor de marca e acesso a novos mercados.
Entre os principais impactos positivos:

1. Reconhecimento em rankings internacionais

A Natura é presença constante em índices de sustentabilidade como:

  • Dow Jones Sustainability Index (DJSI), um dos mais prestigiados do mundo;
  • B Corp Global Movement, que certifica empresas com impacto socioambiental positivo;
  • CDP (Carbon Disclosure Project), onde a Natura figura com nota “A”, sinalizando transparência e gestão exemplar das emissões.

Esses selos reforçam a imagem de uma marca confiável e inovadora, fortalecendo sua presença em países como França, Estados Unidos e Reino Unido.


2. Atração de investidores e consumidores conscientes

Com a crescente demanda por investimentos ESG, a Natura tornou-se um exemplo de empresa rentável e responsável.
O mercado financeiro passou a enxergar o compromisso ambiental não como custo, mas como estratégia de mitigação de risco e geração de valor de longo prazo.

Além disso, o consumidor global passou a associar a marca à autenticidade e propósito, especialmente em um setor altamente competitivo como o de cosméticos e beleza.


3. Integração da sustentabilidade à expansão global

A estratégia de carbono também guiou o processo de internacionalização do grupo.
Ao adquirir marcas como Aesop, The Body Shop e Avon, a Natura consolidou o Natura &Co, um grupo global com atuação em mais de 100 países — e que carrega em seu DNA a filosofia de negócios sustentáveis e inclusivos.

Essa expansão só foi possível porque a marca construiu credibilidade ambiental ao longo de décadas, diferenciando-se das concorrentes e conquistando consumidores que valorizam práticas éticas.


Estratégias práticas adotadas pela Natura para reduzir emissões

A Natura atua em múltiplas frentes para cumprir suas metas de descarbonização.
Alguns exemplos concretos incluem:

  • Substituição de embalagens por materiais recicláveis e refis, reduzindo resíduos plásticos e emissões associadas à produção;
  • Uso crescente de biotecnologia e insumos da sociobiodiversidade amazônica, gerando renda local e evitando desmatamento;
  • Migração para energia 100% renovável em fábricas e centros de distribuição;
  • Transporte otimizado, com rotas mais curtas e veículos de menor emissão;
  • Investimentos em créditos de carbono florestal, apoiando comunidades e projetos que conservam a floresta em pé.

Essas ações integram o plano corporativo da Natura de atingir emissões líquidas zero até 2030, em consonância com os objetivos do Acordo de Paris e as metas da ONU.


Lições da Natura para empresas que querem se destacar no mercado de carbono

O sucesso da Natura no mercado internacional mostra que sustentabilidade é uma estratégia de negócio, não apenas uma pauta de marketing.
Para empresas que buscam se preparar para o mercado regulado de carbono no Brasil, algumas lições são claras:

  1. Comece pela mensuração: não há gestão sem medição. Entenda o perfil de emissões da sua operação.
  2. Reduza primeiro, compense depois: priorize eficiência energética, inovação e logística verde antes de recorrer à compensação.
  3. Comunique com transparência: relatórios claros e auditáveis fortalecem a confiança de investidores e clientes.
  4. Integre sustentabilidade à cultura corporativa: a mudança só é duradoura quando envolve toda a organização.
  5. Enxergue o carbono como ativo estratégico: créditos de carbono, eficiência e inovação são também oportunidades de negócio.

Conclusão: o legado da Natura no mercado global de carbono

A Natura provou que ser carbono neutro não é apenas um diferencial competitivo, mas um modelo de gestão do futuro.
Sua trajetória inspira empresas brasileiras a se posicionarem de forma protagonista na transição para uma economia de baixo carbono, alinhada às exigências globais de transparência, eficiência e impacto positivo.

Ao unir propósito, inovação e métricas claras de sustentabilidade, a Natura consolidou seu nome entre as marcas mais admiradas do mundo — e reforça o papel do Brasil como potência ambiental e empresarial.


Por Carbon Bridge
Conectando negócios e sustentabilidade através do mercado de carbono.

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